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quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

TUDO O QUE APRENDEMOS JUNTOS POR ALÊ SHCOLNIK


Inspirado na peça “Acorda Brasil” de Antonio Ermírio de Moraes, “Tudo que aprendemos juntos” conta a história de Laerte, um talentoso violinista que após frustradas tentativas de integrar a OSESP (orquestra sinfônica do Estado de São Paulo ) se vê obrigado a dar aulas de música para uma turma de adolescentes em uma comunidade carente de São Paulo.

Nesse encontro vemos, além, das dificuldades da vida e da carreira de um músico, o contraste da educação escolar e musical entre os personagens.

“Tudo que aprendemos juntos” nos apresenta histórias de coragem e transformação. Diria que é uma homenagem aos profissionais da música.

É interessante como o filme trabalha o contraste o tempo todo, inclusive na parte técnica, seja no roteiro, na trilha sonora e na fotografia. Alias,  o roteiro é bem definido e delineado, tem diálogos inteligentes e fortes, além de ótimas atuações dos jovens e de Lázaro Ramos e da direção competente de Sérgio Machado.

“Tudo que aprendemos juntos” é inspirado na experiência do Instituto Baccarelli, projeto que oferece formação musical e artística para jovens da comunidade de Heliópolis. O filme mostra como a vida é  uma panela de pressão prestes à explodir.  Emocionante! Difícil não chorar!


quarta-feira, 20 de maio de 2015

O VENDEDOR DE PASSADOS POR ALÊ SHCOLNIK



Baseado na obra do escritor angolano, “O Vendedor de passados” inspira o filme homônimo, com direção de Lula Buarque de Holanda, e protagonizado por  Lázaro Ramos (premiado no 19° CinePE) e Alinne Moraes.

A adaptação conta a história de Vicente, que ganha a vida de um jeito inusitado: vende passados para clientes que desejam modificar sua história. Até que surge uma linda e misteriosa mulher, com um pedido muito especial: sem dar a Vicente nenhuma informação de sua história, ela encomenda um novo passado, partindo do zero. Sua única exigência é ter cometido um crime.

Com uma breve lembrança de “Brilho eterno de uma mente sem lembranças”,  “O Vendedor de Passados” tem uma proposta interessante, mas que poderia ser melhor finalizada. A produção perde o rumo próximo ao fim, sensação que fica perceptível pelo corte brusco da narrativa. 

O filme transita por diversos gêneros, talvez seja esse o grande pecado dele, mesmo tendo traços de comédia e romance, o que dá até uma certa leveza, ele deixa a sensação de que falta algo no ar.

Com boas atuações (a carga dramática dos personagens é boa), uma Direção de Arte que chama atenção pelos objetos colecionáveis, (é um momento delicioso de se ver!!!), a produção é rica em detalhes, sem dúvida alguma, um belíssimo trabalho de objetos cênicos envolventes que de fato ajudam o espectador a “entrar” no filme, já a trilha sonora é completamente desconexa com o filme.

Sem dúvida alguma, é um filme sobre fragmentos, uma reflexão sobre a construção da memória e seus equívocos.