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domingo, 17 de novembro de 2013

BLUE JAMINE POR ALÊ SHCOLNIK

A versatilidade de Woody Allen para transitar entre gêneros cinematográficos é inquestionável. O cineasta está de volta em uma obra inconfundível e completamente neurótica. Começando pela deliciosa e familiar trilha sonora já nos créditos iniciais até a debochada abordagem das neuroses tão familiares do seu universo.

O cineasta nos presenteia com Jasmine, por sua complexidade apaixonante! Cheio de momentos sublimes, o filme tem um toque de drama e comédia romântica ao mesmo tempo.

A história íntima e pessoal de Jasmine no auge da sua fragilidade e desespero é brilhantemente magistral na atuação de Cate Blanchet. Uma interpretação comovente e fascinante!

Com brilhantismo e excelência, Cate Blanchett e Woody Allen conseguem imputar a sua personagem um ser humano arrogante, esnobe, prepotente, desagradável ao mesmo tempo que fraco, desamparado e completamente frágil. As vezes um lobo em pele de cordeiro.

Em meio a um personagem tão instável, aparece Ginger, irmã de Jasmine, o contraponto perfeito para desencadear e equilibrar a sua história.

A  instabilidade e confusão do diretor transparece o tempo todo no roteiro e na direção, sua marca registrada. Com equilíbrio entre caricatura, humor e drama, Woody Allen fez um filme sobre  reconstrução e superação dentro dos seus moldes, (obviamente).

Entre a assimilação e aceitação das mudanças, a construção e desconstrução da personagem, a trama se desenrola como uma facilidade que você nem sente o tempo passar.

Um filme leve, encantador e de enorme beleza emocional onde podemos reconhecer várias " Jasmines" por aí, mas não tão charmosas como Cate Blanchett.

sábado, 16 de novembro de 2013

Especial: Filmes Franceses


O filme francês tem seu lugar de destaque no mundo do cinema e isso não vem de agora. Pelo contrário, a força dessa indústria cinematográfica começou nos anos 20 com o realismo poético, passando pelos clássicos da nouvelle vague até os dias de hoje. Abaixo segue um pequeno especial onde relembro  filmes, alguns recentes outros nem tanto, que me marcaram:

1.       Nem parece minha irmã!

Comédia francesa que retrata as personalidades bastante diferentes de duas irmãs.

Por que ver? É um filme sensível, contrastante, divertido, bonito e real. Um filme que mostra a beleza do cotidiano de uma forma mais humana.

2.       As Invasões Bárbaras

À beira da morte e com dificuldades em aceitar seu passado, Rémy busca encontrar a paz. Para tanto recebe a ajuda de Sébastien, seu filho ausente, sua ex-mulher e velhos amigos.

Por que ver?  Sequência de "O Declínio do Império Americano" de 1986, é uma história crua, triste, com ênfase nos diálogos. Deixa um vazio diante das circunstâncias.

3.       O verão de Skylab

Durante o aniversário de uma bisavó, toda a família se reúne na Bretanha. A festa marca o encontro entre as pessoas mais diferentes, que não se encontravam há anos, incluindo o tio traumatizado pelas experiências na guerra, a garota pré-adolescente que espera encontrar o primeiro amor, a tia que não suporta mais o imenso apetite sexual do marido, o tio de esquerda e um outro, de direita, o adolescente que deseja ser considerado adulto e mesmo um avô com tendências suicidas. Enquanto isso, a televisão anuncia a passagem do Skylab nos céus, um enorme satélite que pode se chocar com a Terra.

Por que ver?  Uma comédia familiar deliciosa de ver! Faz relembrar momentos únicos de nossas vidas!

É o quinto filme dirigido pela atriz Julie Delpy, alias a cineasta decidiu aumentar a participação da sua personagem para homenagear a própria mãe. 

4.       Camille Claudel

Inverno, 1915. Contra a sua vontade, a escultora Camille Claudel (Juliette Binoche) é internada pelos familiares em um asilo psiquiátrico mantido por religiosas, e permanece durante anos na instituição, sem poder sair. Ela afirma várias vezes que está perfeitamente sã, mas desenvolve uma mania de perseguição, acreditando que seu ex-amante Auguste Rodin conspira contra ela, e que todos no asilo tentam envenená-la. Camille passa os dias cercada por internos com deficiências mentais e surtos psicóticos graves, não tendo ninguém com quem conversar. Sua única esperança é uma carta enviada clandestinamente ao irmão Paul (Jean-Luc Vincent), implorando por sua liberação. Quando Paul confirma que vai visitá-la, Camille aguarda com impaciência a oportunidade de mostrar ao irmão que pode viver em sociedade.

Por que ver?

Um trabalho espetacular de Juliette Binoche!

O filme foi lançado no 70° aniversário da morte de Camille Claudel.

Rodado em em um verdadeiro hospital psiquiátrico, buscando dar um toque realista para sua história, contou com a participação de verdadeiros doentes mentais.

5.       Uma Dama em Paris

A estoniana Anne é contratada para cuidar de uma senhora de idade, a também estoniana Frida, que mora há muitos anos em Paris. Apesar de todo o esforço em trocar o seu país natal pela França, Anne é mal acolhida por Frida, que não quer ser ajudada. A única preocupação desta mulher é conquistar novamente Stéphane, seu antigo amante. Juntas, elas descobrem a amizade e o prazer de se sentirem novamente sedutoras.

Por que ver? O filme é inspirado em uma experiência pessoal do diretor Ilmar Raag.

O filme está longe de ter os clichês turísticos, a visão estrangeira da cidade não representava a "Paris de verdade", segundo diretor.

6.       A vida de outra mulher

Marie tem 40 anos de idade, mas quando ela acorda, um dia, ela acredita ter apenas 25 anos. 15 anos de sua vida se apagaram de sua memória. Ela acorda no início de uma longa história de amor, que na verdade acaba de terminar. Entre os transtornos desta nova realidade, ela terá apenas quatro dias para reconquistar o homem de sua vida.

Porque ver? Primeiro por que tem Juliotte Binoche no elenco (em uma atuação comovente, como sempre!),  segundo por que mostra um olhar interessante do personagem criado especificamente para atriz.

7.       2 dias em Paris

Marion e Jack formam um estressado casal, que vive em Nova York. Eles tentam recuperar o relacionamento viajando para Paris, a cidade-natal de Marion. Porém Jack enfrenta problemas, já que os pais dela nada falam de inglês e Marion volta e meia reencontra antigos namorados.

Porque ver? A química entre os protagonistas conquista o público!

8.       Paris - Manhattan

Alice (Alice Taglioni) é uma mulher bonita e apaixonada pelo seu trabalho como farmacêutica, seu único problema é que continua solteira. Ela se refugia do mundo com a paixão por Woody Allen, chegando ao ponto de recomendar seus filmes às pessoas que procuram a farmácia em busca de algum medicamento e até mesmo conversar com o diretor, em seus pensamentos. A família de Alice insiste em lhe arranjar pretendentes, mas ela constantemente ignora os apelos da família para que se case. No entanto, o encontro com Victor (Patrick Bruel) pode mudar a sua vida.

Por que ver? Comédia romântica francesa com um quê de Woody Allen no roteiro.

9.       Qual é o nome do bebê?

Com mais de quarenta anos de idade, Vincent  vai ser pai pela primeira vez. Radiante, ele é convidado pela irmã e o cunhado para jantar, em companhia de sua esposa e de um amigo de infância. Enquanto a esposa não chega, os amigos começam a fazer perguntas sobre a paternidade, até chegar à inevitável questão sobre o nome do bebê. Quando Vincent finalmente anuncia o nome escolhido, o caos se instala na família.

Por que ver? O filme é uma comédia hilária francesa!

O filme é uma adaptação da peça de teatro de própria autoria dos diretores. Os atores também são os mesmos da peça de teatro, com a exceção de Charles Berling, o único novato nesta história.

10.   A delicadeza do Amor

Nathalie é jovem, bonita, tem um casamento perfeito e leva uma vida tranquila, com tudo no lugar. Contudo, quando seu marido vem a falecer após uma acidente, seu mundo vira de cabeça para baixo. Para superar os momentos tristes, ela decide focar no trabalho e deixa de lado seus sentimentos. Até o dia em que ela, sem mais nem menos, tasca um beijo em Markus , seu colega de trabalho e os dois acabam embarcando numa jornada emocional não programada, revelando uma série de questões até então despercebida por ambos, o que os leva a fugir para redescobrir o prazer de viver e entender melhor esse amor récem-descoberto.

Por que ver? É delicioso ver o desenrolar dessa comédia romântica um tanto promissora! O filme é delicadeza pura, do começo ao fim!

Audrey Tautou é um charme à parte! Alias, a beleza delicada da atriz tem tudo haver com a história. 

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

“Não se trata de confiar, mas sim de sobreviver”, esse foi o dilema do primeiro filme da franquia “Jogos Vorazes”, mas nessa sequência a situação mudou e muito.

Após sobreviver à última edição dos jogos e de quebra salvar o amigo Peeta, Katniss se torna um símbolo da revolução dos distritos contra a Capital. Sem querer problemas, o presidente Snow decide usar o falso romance entre Peeta e Katniss para distrair a população e, ao mesmo tempo, abalar a imagem da jovem. Sem conseguir controla-la, por tamanho atrevimento dela, Snow decide realizar uma nova edição dos jogos com vários antigos ganhadores.

Um clima político e de revolução iminente foi instaurado, assim emitindo mais força para as ações e reações dos personagens centrais. A situação mudou, e com uma certa teatralidade, o filme conquista pelo excessos de cores tanto nos figurinos, na maquiagem e na Capital, como na falta dela também nos ambientes cinzentos dos distritos. Alias, o diretor de fotografia Jo Willems fez um bom trabalho transbordando dicas do desenrolar da trama, já o diretor Francis Lawrence criou um o clima de tensão  mesmo fora da arena e deixa sempre um mistério no ar diante do que vai ocorrer.

Bem superior ao original, com algumas cenas grandiosas, o filme deixa a sensação de "quero mais", algo muito importante em capítulos do meio em grandes franquias. 

Diante de um lugar das cores e de fogos de artifício (a Capital), o filme que é voltado para o público jovem, tem o mérito de não tratá-lo como idiota.  Não é apenas uma mera aventura adolescente com um triângulo amoroso e situações de perigo, é uma critica social. Ao contrário da franquia “Crepúsculo”, o longa oferece uma crítica social bem interessante, promovendo uma boa reflexão sobre a sociedade em que vivemos hoje em dia.

Mesmo que você não tenha lido uma linha sequer do livro vale a pena conferir, quem sabe, talvez fique até com vontade de procurar a obra literária, afinal estamos diante de uma história complexa e criativa.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Grande Prêmio do Cinema Brasileiro 2013

A maior premiação do cinema nacional, o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro aconteceu hoje, dia 13 de Novembro, na Cidade das Artes. Escolhidos pelos membros da Academia Brasileira de Cinema e também pelo público, os vencedores receberam o Troféu Grande Otelo.

A cerimônia de premiação teve mais uma vez a direção artística de Ivan Sugahara com cenografia de Nello Marrense e iluminação de Paulo César Medeiros.

Cerca de 1.200 convidados, entre eles atores, atrizes, produtores, cineastas, diretores, exibidores e distribuidores do mercado cinematográfico passaram pelo tapete vermelho do evento para a mais badalada premiação do setor. 
Mestres do riso que fazem parte da história de sucesso das comédias no cinema nacional desde Oscarito, Grande Otelo, Mazzaroppi, Dercy Gonçalves, Os Trapalhões até os grandes sucessos lançados nos últimos anos foram lembrados pela Academia. Por sinal, 2012, foi um ano especial para o gênero: os três filmes nacionais de maior bilheteria eram comédias e somaram mais de 8 milhões de espectadores.

Com um show a parte dos atores homenageando a comédia brasileira, com direito a Dercy Gonçalves, Oscarito e Grande Otelo no palco. Foi irreverência pura!

A premiação teve momentos emocionantes desde as homenagens póstumas, o discurso de agradecimento da mulher do ator Claudio Cavalcante (falecido a pouco mais de 1 mês) e a grande homenageada da noite: Ruth de Souza, pioneira no cinema, teatro e televisão.

 Vamos aos premiados:

O filme “2 coelhos” levou os prêmios de Melhor montagem de Ficção, Trilha Sonora Original e Melhor Efeito Visual.
“Raul – O inicio, o fim e meio” ganhou nas categorias: Melhor montagem documentário, Melhor longa documentário por voto popular, Melhor longa-metragem documentário. Walter Carvalho em um dos discursos de agradecimento disse: “O cinema é a música da luz”.

“Gonzaga – de pai para filho” levou os prêmios de melhor diretor, melhor filme, melhor Ator (Julio Andrade) e na categoria melhor Som.

O filme “Heleno”, estrelado pelo ator Rodrigo Santoro levou nas categorias Direção de Fotografia, Figurino, Maquiagem e Direção de Arte. Alias, foram 3 filmes premiados na categoria Direção de Arte, “Xingu” e “Coração Sujos”.
A atriz Dira Paes foi premiada na categoria Melhor Atriz por seu trabalho em “À beira do caminho”.
O filme “Intocáveis”, que emocionou mundo a fora, foi premiado na categoria voto popular longa metragem estrangeiro e Melhor longa metragem estrangeiro.

O filme “Febre do Rato” de Claudio Assis foi premiado nas categorias: Roteiro Original, Melhor longa metragem ficção no voto popular, Melhor Atriz Coadjuvante para Ângela Leal, alias mãe e filha dividiram o premio em filmes diferentes, Leandra Leal levou por sua atuação em “Boca”.

Na categoria roteiro adaptado o prêmio do para “Corações Sujos”. O ator Claudio Cavalcante ganhou na cetegoria Melhor Ator Coadjuvante.

O Curta metragem Animação foi para “Cabeça de Papelão” e o melhor longa de animação foi “Brichos 2 – A floresta é nossa”. Na categoria melhor curta documentário foi para “Elogio de Graça”, o melhor curta de ficção foi para “Laura”. O melhor longa infantil foi para “Peixonauta – Agente secreto da O.S.T.R.A”.

Na categoria melhor trilha sonora foi para A música segundo Tom Jobim.

sábado, 9 de novembro de 2013

“Olha para mim, olha para mim, eu sou o capitão, agora” é assim que o filme começa a marcar a trajetória de Capitão Phillips, interpretado por Tom Hanks, em um personagem durão e seguro de si, capaz de tudo para defender sua tripulação.

Fazia tempo que uma história baseada em fatos reais não demonstrava uma abordagem tão particular e simplista, o filme não só agrega um leve discurso político, mas também usa do seu estilo câmera na mão para demonstrar objetividade na hora de despir valores. O patriotismo americano, da mesma forma que fez com o filme “Guerra ao Terror”, não deixará escapar o Oscar do “Captain Phillips”.

Audacioso, tenso, emocionante, “Captain Phillips” , sem dúvida alguma será indicado ao Oscar em algumas categorias entre elas a direção de Paul Greengrass, tensa e firme, o diretor acertou em cheio! Um trabalho brilhante!

Com um roteiro simples, diálogos fortes e boas atuações, (destaque para o sequestrador Barkhad Abdi), o filme é intenso, angustiante e principalmente traumatizante, na maior parte do tempo.  

Cinema de primeira! Não deixem de ver!

sexta-feira, 8 de novembro de 2013


O curta “Os Irmãos Mai”, dirigido e roteirizado pela professora de roteiro da Academia Internacional de Cinema (AIC), Thais Fujinaga, saiu vitorioso da 6ª Mostra Marília de Cinema, no dia 20 de Outubro.

O filme que faturou dois prêmios, Melhor Direção e Melhor Fotografia, já passou pelo Festival de Gramado e pelo Festival Internacional de Curtas de São Paulo.

“Os Irmãos Mai” conta a história de dois irmãos de origem chinesa que saem pelo centro da cidade em busca de um presente para a avó. Quanto mais procuram cumprir este objetivo, mais distantes eles ficam do plano originalmente traçado. 

“O que me interessa mostrar é a relação desses adolescentes com a cidade, por um lado, e, por outro, o modo como essa cidade, seus movimentos próprios, sua agressividade, influenciam na relação fraterna”, conta Thais. 

O filme também conta com a participação de outro professor da AIC, Dicezar Leandro, que assina a Direção de Arte do filme.

Ao todo, a Mostra recebeu a inscrição de 275 curtas de 16 estados diferentes e destes, 12 trabalhos foram selecionados para as competitivas. Todos os premiados receberam o Troféu Seu Dito, uma homenagem ao cineclubista Benedito André, que por muitos anos administrou o Clube de Cinema de Marília. Entre longas e curtas, a Mostra exibiu 28 filmes, ao longo de 4 dias e atingiu um público de mais de 1,5 mil espectadores.

domingo, 3 de novembro de 2013


O mais novo filme do diretor Ridley Scott, “O Conselheiro do Crime” em cartaz nos cinemas, com um grande elenco não atendeu às expectativas. Com um elenco tão gabaritado em desempenhos tão medianos, o filme  não decola por conta de um roteiro irregular e diálogos longos demais.

Penélope Cruz, mesmo atuando em inglês, faz um bom trabalho junto com Bardem e Brad Pitt. Já Fassbender alterna bons momentos com outros não tão inspirados e Cameron Diaz, infelizmente, não agrada (mais uma vez) com um personagem cheio de trejeitos exagerados, alias, a atriz só entrou no longa depois que Angelina Jolie abandonou o projeto. Não há dúvidas, que Jolie faria um trabalho formidável.

Seguindo a onda de atores cotados para o filme, Bradley Cooper e Jeremy Renner foram considerados para o personagem chamado Reiner. Já a atriz Natalie Portman foi considerada para viver Laura.

Voltando ao aspecto técnico, o filme é cheio de diálogos longos (alguns fora do contexto, inclusive) as tentativas de apresentar os personagens são falhas, mesmo com personalidades bem marcantes e a ausência de momentos de tensão cortam o ritmo do filme, se arrastando.

Sem um clímax marcante, “O Conselheiro do Crime” tem como ponto alto a violência a La Tarantino.

Em meio a essas questões é importante dizer que o filme não é focado no advogado (e não conselheiro como diz o título) é um grande erro. Seu personagem apenas liga as histórias paralelas que o roteiro montou, junto com as consequências brutais do seu envolvimento no crime organizado.