truque de mestre

X MEN

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quinta-feira, 8 de novembro de 2012


Provavelmente o último estúdio do mundo que se esperaria aprovar uma nova versão da lenda de Frankenstein é a Disney.

Com uma visão inteligente e até sutil, de uma paródia de Frankenstein que transformou o curta de 1984 (foram 15 dias de filmagens e 2 meses de pós produção), em um remake, se assim posso dizer, em um longa de animação relançado agora, em 2012.

Com seus 25 anos, Burton teve a ideia do filme quando assistiu Frankenstein (Universal) e se lembrou de um cão que teve na infância. O projeto foi apresentado a Richard Berger, na época chefe de produção da Disney, que adorou.

Infelizmente, Frankenwennie não nasceu no Natal de 1984 como o esperado, a Disney fez exibições testes com mães e filhos de 6 a 9 anos. Acontece que os testes mostraram certa preocupação das mães com o fato dos filhos brincarem com eletricidade, além de também se inquietarem com a intensidade da história. 

O filme que vemos hoje tem influências de cada obra de Tim Burton, desde família suburbana de Edward - Mãos de Tesoura, a fotografia sombria de A lenda do Cavaleiro sem Cabeça, Sweeney Todd e Sombras da Noite, o roteiro original como em Vincent, As grandes Aventuras de Pee-Wee, Edward -  Mãos de Tesoura, Os Fantasmas Se Divertem e a refilmagem de A Fantástica Fábrica de Chocolate (lembrando que não foi um remake), além de homenagear grandes filmes de terror, desde os antigos aos atuais (Frankenstein, Drácula, O Médico e o Monstro, A Múmia, Gremlins, Godzila). A animação também homenageia o mestre Hitchcock na cena onde os pais de Victor ficam presos na cabine, quem não se lembra de Os Pássaros.

Tim Burton sem dúvida tem uma relação forte com sótãos (Edward -  Mãos de Tesoura, Os Fantasmas Se Divertem, A lenda do Cavaleiro sem Cabeça, Sweeney Todd e Sombras da Noite). Observando suas obras, a maioria delas contém esse cômodo da casa, normalmente usado para as experiências mirabolantes e geniais de seus filmes.

Tim também aborda a relação familiar com um pai que deseja que o filho seja um garoto normal. Talvez seja aqui nesse contexto que possamos imaginar como era a relação familiar em casa, já que seus pais colocaram tijolos em seu quarto na Califórnia, um tanto esquisito, considerando o fato de que a justificativa era manter o quarto aquecido.

No filme, o pai de Victor deseja que ele faça um esporte como beisebol. Ele induz o filho, usando a feira de ciências da escola como artifício para convencê-lo.

O filme conta com as famosas cenas clichês de um clássico de terror, seja na trilha sonora às cenas  feitas no cemitério (as visitas eram feitas a noite e a cena de chuva mais forte se passa lá).

Detalhe para o filme que se passa no cinema local: Bambi, e a câmera super 8 nas mãos do amigo (dono da tartaruga) que filma o ataque dos monstros. E a menina e o gato lembra a Felícia do Looney Tunes.

Apesar de ser sombrio, o filme nos faz chorar e muito. Quem nunca quis dar vida novamente a um animalzinho de estimação. A dor da perda de Victor é sofrível demais para um garotinho que pela primeira vez está lidando com a morte de um ente muito querido. Sparky é seu melhor amigo, divide com ele toda alegria de te-lo como dono e de repente, Victor o perde. Muito triste! 

Sem dúvida alguma, Frankenwinnie entra para a história da animação por tratar de um tema tão singelo pelos olhos de Tim Burton. É um olhar diferente de todas as animações já feitas.