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quarta-feira, 19 de agosto de 2015

O PEQUENO PRÍNCIPE POR BRUNO DE SOUZA


Escrito por Antoine de Saint-Exupéry, “O Pequeno Príncipe” é um clássico da literatura mundial que mesmo sendo denominado como infantil perpassa o gênero e cativa intensamente a quem lê. Não é por menos que o livro se tornou uma fonte inesgotável de inspiração tanto pelas aquarelas do próprio autor quanto pelo seu conteúdo, temática e forma lírica o qual aborda. O cineasta de animação Hayao Miyazaki é um deles, o criador do estúdio Ghibli responsável por obras primas como “Meu Amigo Totoro” e “A Viagem de Chiriro”, tem até hoje “O Pequeno Príncipe” como seu livro favorito e de cabeceira o qual o inspirou sucessivamente em suas obras.

Como qualquer obra de sucesso, “O Pequeno Príncipe” não se prendeu apenas a literatura e logo se tornou um filme musical em 1974 e algumas séries de animações. Nenhum dos citados possuía verdadeiramente a essência e o carisma do original.

Em 2008 após exibir seu elogiado “Kung Fu Panda” no Festival de Cannes, Mark Osborne recebeu um convite para realizar uma adaptação do livro de Exupéry para o cinema. Osborne logo recusou por achar impossível adaptar o livro, apaixonado e com uma relação própria com o mesmo, já que conheceu através de sua namorada, quando teve que se ausentar e morar do outro lado do país para estudar animação e se comunicava com ela através de cartas, e nelas sua então namorada citava frases de “O Pequeno Príncipe” e um dia enviou seu exemplar pessoal para ele. Anos depois já casados e com filhos, ele leu o mesmo exemplar para eles.

Mesmo tendo recusada a tal proposta, Osborne não sossegou e ficou imaginando quantas pessoas tinham sido tocadas e transformadas pela obra de Exupéry. Foi então, que vendo sua filha teve a idéia de criar um filme aonde uma menina, uma jovem adulta, que não tem a possibilidade de ser criança se depara com a história do pequeno príncipe através de seu vizinho, um ex piloto idoso que não perdeu a essência infantil.

Osborne encontrou essa forma então de proteger o conteúdo original e ao mesmo tempo mostrar o quão ele foi tão inspirador. Para traduzir essas duas histórias ele decidiu usar de tecnologias diferentes. Quando conta a história da menina, ele usa a animação 3D com modelagens bem referenciais a dos estúdio Pixar em um mundo cinza, geométrico, perfeccionista, contrastado pelas cores da casa do aviador. Já quando conta a história do livro, ele traz com muita sensibilidade a animação em stop motion com personagens criados em papel marche. O mundo criado para a adaptação do livro é onírica e muito bela.

Dessa forma a narrativa se divide em contar essas duas tramas, mas acaba tendo muito menos espaço para a obra do Pequeno Príncipe, mas não incomoda por ser abordada de forma orgânica para a narrativa e assim o filme vai se construindo de forma quase irretocável e perfeita até que decide continuar a história do livro, mostrando o que aconteceu depois. É nesse momento que o filme perde um pouco a força e produz uma “barriga” narrativa.

Nesse ato Osborne tenta investir um pouco na aventura e sequências de ação e perseguição para atrair esse jovem público faminto por agilidade e acontecimentos mil. O problema desse terceiro ato é que além de controversamente seguir a história do livro que já estaria encerrada, é de que se torna redundante em suas mensagens e as frases de efeito do próprio livro são amplamente repetidas o que se torna cansativo e um pouco exagerado.

Mesmo com tais problemas no ato, foi conseguido amarrar toda a trama e trazer um final satisfatório, mas que poderia ser um pouco mais ousado em um belo filme que trata sobre não deixar seu lado infantil ir embora quando se torna adulto e também aborda sobre a perda e a morte de forma sútil e elegante.

O Objetivo de Mark Osborne foi alcançado com êxito em mostrar o quão essa história é relevante para a vida e traduziu a fábula do Pequeno Príncipe de forma espetacular com a melhor adaptação da obra até o momento.