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quarta-feira, 2 de março de 2016

A BRUXA POR RÔMULO DE SÁ PEREIRA


Nova Inglaterra, década de 1630. William e Katherine levam uma vida cristã com suas cinco crianças, morando á beira de um deserto intransitável. Quando o filho recém nascido deles desaparece e a colheita falha, a família sofre uma transformação. Por trás de seus piores medos, um mal sobrenatural se esconde no bosque ao lado.

Ambientado na região da Nova Inglaterra, costa noroeste dos Estados Unidos, nos anos 1630 (cerca de 60 anos antes do famigerado julgamento das Bruxas de Salem), a estreia do diretor e roteirista Robert Eggers não é o tradicional filme de terror que povoa as salas de cinema. Não são muitos os sustos. Mas isso não quer dizer que não seja assustador. Longe disso. É aterrorizante. Muito em conta do perfeito realismo da produção. Atento aos mínimos detalhes, Eggers e sua equipe reproduziram em mínimos detalhes como seria viver na época: as roupas costuradas com lã de carneiro, a casa de pau a pique com seu telhado de palha, os instrumentos da cozinha, o inglês arcaico dos diálogos e a fotografia, que remete a Barry Lyndon, de Stanley Kubrick, toda feita com luz natural ou de velas.

Na trama, uma família cristã puritana é expulsa de sua comunidade por causa de desavenças religiosas de seu patriarca (Ralph Ineson, de Game of Thrones e pequena participação nos filmes de Harry Potter). Em seguida, ele, sua esposa (Kate Dickie, a Lysa Arryn de Game of Thrones) e os cinco filhos, se instalam em uma pequena fazenda nas margens de uma floresta. Mais adiante, o bebê da família desaparece quando brinca com Thomasin (Anya Taylor-Joy), a protagonista e filha mais velha do casal, o milho plantado apodrece, um dos membros da família é possuído e a figura da bruxa do título põe à prova a tão aplicada fé do clã.

Além da ambientação, “A Bruxa” é um filme incrível por trabalhar tão bem os símbolos tradicionais da bruxaria (o agourento bode preto, a lebre, o corvo…) e representá-los de formas simples, mas, ao mesmo tempo, aterrorizantes. Outra força do filme é não ser simplesmente somente um terror, mas também um drama de época. Traz questionamentos sobre liberdade religiosa e de escolha e também sobre o preço que se pode pagar por se seguir uma fé totalmente cega. Por fim, é também um filme de formação, com Thomasin descobrindo seu corpo e passando de menina para mulher, questionando o modo de vida instituído por seus pais e se tornando ciente do vasto mundo ao seu redor.