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quarta-feira, 27 de abril de 2016

CAPITÃO AMERICA: GUERRA CIVIL POR BRUNO DE SOUZA


Há algumas semanas atrás Joss Weadon,  diretor dos dois filmes dos Vingadores, alegou que “ Vingadores: A Era de Ultron”  foi uma “falha miserável”. Segundo o site IndieWire, o diretor alegou também, que não conseguiu concluir  um narrativa ao contento e que teria feito um desserviço aos estúdios Marvel.

Joss teve um papel fundamental na transição dos filmes solos dos heróis para uma obra aonde não só apresentaria uma equipe, como também precisava lidar com seu excesso de personagens e dar tempo de tela.

O primeiro filme dos Vingadores é excelente e muito divertido, já o segundo soa bastante repetitivo, com personagens mal desenvolvidos, trama corrida e um vilão mal aproveitado. E não foi apenas esse o problema, os estúdios Marvel precisa compreender que para que sua série de filmes seja produzida por infinitas gerações, é necessário que cada fase tenha um tom diferente e crescente. É vital que tenha uma explicação narrativa para tantos filmes a serem realizados.

É nesse ponto que “Capitão América: Guerra Civil” se demonstra como a obra certa e necessária para esse momento da Marvel.

“Capitão América: O Soldado Invernal”, que ainda é o melhor filme da Marvel, tinha sido um avanço narrativo e que não recebeu continuidade em “A Era de Ultron”, por isso, o estúdio tenta resgatar o tom do segundo filme do Capitão América, colocando novamente nas mãos nos irmãos Russo, os mesmos que vão ser responsáveis pelos dois próximos filmes dos Vingadores.

Quando foi anunciada a adaptação de um dos arcos mais famosos da Marvel, “Guerra Civil” de Mark Millar e Steve McNiven,  gerou muita expectativa de como os Estúdios Marvel iria transpor para o cinema uma batalha tão épica entre seus heróis, no qual participam dezenas de personagens, com uma trama bem mais profunda, densa e política. Com um Homem de Ferro cego por suas convicções e claramente como um antagonista capaz de atitudes absurdas, e consequências fatais para o universo.

É muito nítido que “Capitão América: Guerra Civil” tem diversas obrigações e um acúmulo de missões, e não tem como não analisar a obra por tópicos :

Primeiramente o filme precisa ser uma sequência de “Soldado Invernal” atribuindo situações e personagens de “A era de Ultron”, e ao mesmo tempo tentar corrigir os problemas e os fatores que os fãs não aprovaram.

Segundo, precisam apresentar uma trama que possibilite o atrito entre Capitão América e Homem de Ferro que dividam os heróis, mas ao mesmo tempo não podem colocar Stark/Homem de Ferro, como um antagonista claro, como é nos quadrinhos. Afinal, a presença de Downey Jr é ainda muito forte e adorada pelos fãs.

Terceiro, esse é um filme  pretende ser um elo de transição não só para os próximos da franquia, como de uma nova fase com mais aprofundamento e consequências.
Quarto, é necessário apresentar novos personagens. Alguns pouco conhecidos pelo grande público, como o Pantera Negra , e outros extremamente adorado, como o Homem Aranha, uma das coisas mais aguardadas no filme.
E como se não bastasse ser necessário essa apresentação, também é preciso desenvolver melhor os personagens já conhecidos e suas subtramas.

É nítido que caíram sobre os irmãos Russo diversas obrigações e expectativas a serem alcançadas, mas eles conseguem contornar com maestria.

Já na primeira cenade ação do filme é comprovado o talento e capacidade dos Russo em construir uma ação desenfreada, mas ao mesmo tempo ,que presa por efeitos técnicos e coreográficos  e bem dirigida. Toda a ação do filme é espantosa e nos deixa em êxtase. Essa é a adaptação da Marvel com sequências mais empolgantes.

A sequência do aeroporto que claramente não tinha muito necessidade narrativa acaba sendo justificável para colocar em confronto seus múltiplos heróis na cena  mais divertida de um filme de super herói.

A trama de “Guerra Civil” não é tão impactante e densa como nos quadrinhos, mas estabelece uma ótima dinâmica entre os personagens e uma sobriedade antes não existente no universo cinematográfico da Marvel. O roteiro é genial por inserir razão em ambos o lados, os dois estão certos e errados, mas o emocional não os deixa ver.

Tão inteligente foi a escolha de frear o Stark/Homem de Ferro. Aqui temos uma figura mais soturna, abalada e frágil, abrindo mão do excesso de piadas dos personagens, que aqui, ocorrem mais pontuais.

Temos um Stark se confrontando com suas consequências, e Downey Jr está brilhante em cena. Esse é um elemento que deveria ter sido presente no terceiro filme solo do ferroso.

Mas se a trama é bem construída, o mesmo não se pode dizer do vilão, que por mais que seus planos em cena funcionam muito bem, não o explicam totalmente. Sua motivação é fraca e sua capacidade não explicada.

Os vilões ainda são um problema constante nos filmes da Marvel, apenas Loki se mostra como um inimigo mais emblemático e ameaçador, e isso no primeiro Vingadores. No primeiro filme de Thor ele era nulo.

Esse é o filme que melhor consegue abordar seus personagens, todos são críveis e com motivações próprias. 

Alguns se destacam como Feiticeira Escarlate, que aqui precisa também lidar com suas consequências e sua relação tão famosa com o Visão nos quadrinhos, começa aqui ser estabelecida sem pressa. O Arqueiro e a Viúva Negra tem presenças cada vez mais fortes em cena. Mas o real destaque é a apresentação de Pantera Negra encarnado por Chadwick Boseman, que rouba a cena do filme e prepara o terreno para o longa solo do herói. As cenas de ação com o Pantera são de tirar o folego.

E como se não bastasse ainda temos o melhor Homem Aranha do cinema. Sim, o melhor Peter Park e o melhor Aranha.

Mesmo com pouca relevância na trama, a meia hora de participação de Tom Holland é extasiante. É a adaptação mais palpável dos quadrinhos. Um Peter Park adolescente, com espirito fanfarrão que está realmente se divertindo naquela batalha. Isso que sempre fez o personagem ser tão identificatório.

Toda frase de Holland em cena era de tirar inúmeras gargalhadas, assim como o retorno de Paul Rudd como Homem Formiga, extremamente à vontade com seu papel e dominando a cena. Mas a participação dos dois soa um tanto gratuita na narrativa. O desaparecimento de Peter no meio do filme é brusco, na verdade é um problema na parte final do filme, sem saber o que fazer com tanto personagens, alguns simplesmente desaparecem.

“Guerra Civil” pode não ser o melhor filme da Marvel, mas é o mais grandioso e ambicioso, dentro de tanta necessidade o filme alcança enorme êxito demonstrando o quão a Marvel é boa em divertir o público.

Falta um pouco de amadurecimento e principalmente consequências. A linda sequência final não tem tanto impacto graças a conclusão insatisfatória, mas tudo indica que essa não é uma conclusão, e sim o inicio de algo muito maior. E será que a Marvel vai conseguir dar conta de cada vez mais grandiosidade ?

O público já agradece e aguarda ansioso por seu próximo lançamento.